Lobotomia

Extrapolados limites conservacionais

Que suportam e prendem quem estou

Levaram meus pensamentos rivais

Deixaram algo. Nada, só sobrou

Tento, por aqui,

Voltar a ser

Quem na escuridão verti

E a mim podia ver

Agora, com paredes ao chão

Tenho medo do que vejo

Imenso e intenso clarão

De correntes jogadas aos percevejos

Rachel Tamburini

Queria poesia

Queria quando podia

Mas, o poder de escolher

Desatinou o meu ser

R. T.

E eu só quero ficar longe de tudo

Tudo o que amo e abomino

Tudo o que está e que vai

Tudo o que foge e me atrai

Longo é o caminho que percorro

Curta é a estrada que ilumino

Mas, talvez, a distância incite a saudade

E a saudade, sã, devolva minha insanidade

Por tudo, desejo verter-me e levantar

Nas águas profundas deste segundo

Ver, ao longe, toda a beleza do mundo

Que um dia insistiu em dançar

Rachel Tamburini

Sou uma péssima aluna, péssima amiga, péssima amante. Consumo outras pessoas pra não ser consumida por mim mesma. Chega de remédios, chega de bebida. Chega de fugir! Hipocrisia… Paradoxo. Qual a razão de um abrigo invisível? Todos me veem e, eu, vejo-me… tardiamente. Se não tenho amor, se não tenho moral, conhecimento ou razão, que tenho eu? Ah… a velha necessidade de ter. Antes, pelo menos, era de ser.

RELATIVIZE

Podemos definir a habilidade de relativizar como sendo uma disposição para estabelecer novos vínculos e relações entre ideias, conhecimentos e informações. Relativizar nada mais é do que a criação de “links” entre os estímulos e informações que permeiam nossa caminhada.
É um exercício criativo importantíssimo para o autoconhecimento, que nos liberta do cárcere do julgamento rígido e implacável do certo e errado. Ao estabelecer essas novas relações, ampliamos o leque de possibilidades da vida, pluralizando seus significados.
O exercício de relativizar, questionando a rigidez e o caráter absoluto e imutável de nossos julgamentos internos e externos, estimula a empatia e a compaixão conosco mesmos e com os outros, dissolvendo assim nossos preconceitos e crenças enfermiças.
Essa habilidade sem dúvida integra a lista de itens da chamada inteligência emocional, estimulando nossa solidariedade, fazendo crescer nossa criatividade e florescer nossa individualidade, ingredientes para o autoamor e a sabedoria.

Luiza Tamburini Gomes

2headedsnake:

Franz Hein
‘Mermaid in a Pool with Goldfish’, 1904
color lithograph

2headedsnake:

Franz Hein

‘Mermaid in a Pool with Goldfish’, 1904

color lithograph

vintagegal:

Frenzy of Exultations by Władysław Podkowiński, 1893 (via)

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Frenzy of Exultations by Władysław Podkowiński, 1893 (via)

Frances Bean Cobain by Hedi Slimane. (July 2011)

Tão ruim saber que algo que nem começou está terminando agora. Agora. Palavra que corrói, que desgasta. Tão ruim ter consciência de que seus planos não darão certo. Certo. Palavra que bate, que machuca. Você consegue ver? Correndo sobre a colina deserta, dançando a melodia das coisas que vão, das coisas que dão um único e ferrenho adeus. Este deserto que percorro, cheio de palavras que esvaziam o que meu peito não mais suporta, está sob chuva. Chuva. Palavra tão pequena que escorre e percorre todo meu ser. Palavra que tatua-me em folhas quaisquer. Palavra que me ciclitiza, que me lixivia, que me liberta. Sei que um dia não lembrarei mais destas palavras, mas, espero, que este texto continue em mim. Que esta chuva vire mar. Mar, esse, que navega minha vida. Não tenho perspectiva, mas o vento me dá a direção.

Rachel Noldor

dijpoetess:

great-awakening:

faeries-and-nature:

I want this kind if relationship with my child, if I ever have one

THIS IS THE CUTEST THING I HAVE EVER SEEN

Here it is again, happiness in the form of human beings

Dar-me-ei voz

Que som macabro é esse que sai do meu coração e não passa do meu peito?

Que olhar é esse que assombra cada espaço que se mostra?

Que pele é essa que habito, que imito, que limito?

Que caminho é esse que se fecha quando existe e se abre quando não me encosta?

Rachel Tamburini

Melancolia

E agora
Que preciso daquele silêncio melancólico
Vindo das ondas mais inebriadas
Do fundo do mar
De uma estrela sem ar
Encostada em um coral qualquer
De qualquer cor
Com qualquer dor
Que escute este meu ser
Que desfaça este ter
E me leve daqui
Traga-me dalí
Um barco qualquer
No peito que vier
Que estrala
Que se estraga
Por bater assim sozinho
Assim pequeno
Bem aqui, no meu ninho
Só assim, bem quietinho

Rachel Tamburini

Demissão

Demito a Felicidade,

Invasora da solidão,

Não permite que me abata 

O Vento da confusão

Megera!

Tenho dívidas a quitar!

Deveras, enfim,

A um abismo se atirar

Não me mata,

Rima inata,

De uma forte

Ou tão simples morte

Morro por melancolia 

De um começo sem fim

Morro, dia e noite

Pois a vida vem enfim

Rachel Tamburini

Cá, coloco-me em palavras

Estranhas, tais,

Que roubam asas

E partem do meu cais

Partem para algum oceano

Com um mero e desertor cântico

Livre de todo âmago 

De um homicídio semântico

Rachel Tamburini